A Importância da Gratidão

A Importância da Gratidão


“Quem acolhe um benefício com gratidão, paga a primeira prestação da sua dívida”. ~ Sêneca

Nós vivemos em uma era em que a humanidade é cada vez mais impulsionada pelo egoísmo e interesse pessoal. O modo de vida e o estresse deste século tem promovido um crescimento no egocentrismo e no modo como as relações humanas tem sido desenvolvidas. Contudo o que pouca gente sabe é que o egoísmo e a ingratidão são sentimentos análogos e complementares. Além de semelhantes, sempre que houver um, o outro também estará presente.

Jesus também sofreu por diversas vezes com a ingratidão. Os evangelhos nos contam que Jesus sofreu com a ingratidão de Judas que traiu àquele que sempre o amou e dedicou-se a ele. Sofreu com a ingratidão do povo a quem a quem Jesus havia curado, alimentado, ensinado e ajudado e que mesmo assim pediu para crucificá-lo. Todas estas e muitas outras foram ingratidões que lendo a bíblia podemos facilmente reconhecer, mas existe uma situação específica nos evangelhos que mais se relaciona a nossa ingratidão nos dias atuais e que surpreendeu o próprio Jesus. É a história dos Nove:

‘E, entrando numa certa aldeia, saíram-lhe ao encontro dez homens leprosos, os quais pararam de longe;  E levantaram a voz, dizendo: Jesus, Mestre, tem misericórdia de nós.  E ele, vendo-os, disse-lhes: Ide, e mostrai-vos aos sacerdotes. E aconteceu que, indo eles, ficaram limpos.  E um deles, vendo que estava são, voltou glorificando a Deus em alta voz;  E caiu aos seus pés, com o rosto em terra, dando-lhe graças; e este era samaritano.  E, respondendo Jesus, disse: Não foram dez os limpos? E onde estão os nove?  Não houve quem voltasse para dar glória a Deus senão este estrangeiro?  E disse-lhe: Levanta-te, e vai; a tua fé te salvou.” Lucas 17:12-19

A lepra era muito temida pelos israelitas, não só por causa do dano físico causado, mas também por causa das leis rigorosas de isolamento que se aplicavam aos que sofriam da doença, fazendo com que os pacientes se sentissem completamente excluídos da sociedade. Na época de Jesus os hebreus não tinham nenhuma cura para a hanseníase senão a intervenção divina.

Foi neste contexto que os dez leprosos chegaram até Jesus. Sabendo que eram excluídos eles não ousaram chegar perto de Jesus e à distância gritaram por misericórdia. Jesus movido por sua imensa misericórdia no mesmo momento fez algo até então extraordinário. Sem precisar tocar ou chegar-se até os dez leprosos, os curou.

Você pode argumentar que em nenhum momento Jesus declarou a cura sobre eles ou fez qualquer milagre aparente, mas tão somente os enviou aos sacerdotes. Contudo, para os 10 homens enfermos pela lepra a orientação de Jesus já era suficiente para que compreendessem que Jesus os curara, pois conforme Levítico 13 qualquer pessoa que sofresse de lepra deveria se apresentar ao sacerdote para que pudesse ser considerada curada e assim reintegrada à sociedade.

E assim foram os dez, em direção aos sacerdotes, pela primeira vez desde que acometidos por tão terrível doença, agora limpos, curados e aceitos.

Um deles, justamente um Samaritano, de quem os demais grupos religiosos não gostavam e não esperavam qualquer boa atitude,  volta até Jesus e de acordo com o evangelho de Lucas ele chega até Ele louvando a Deus, em voz alta, em gratidão, aos pés de Jesus. Suas atitudes eram um reflexo incontrolável da gratidão que ele teve por Jesus por todas as bençãos que lhe foram estabelecidas através da cura.

Contudo Jesus ao vê-lo surpreendentemente faz apenas três perguntas retóricas não apenas ao Samaritano, mas a todos que estavam presentes ali naquele momento: “Não foram dez os limpos? E onde estão os nove? Não houve quem voltasse para dar glória a Deus senão este estrangeiro? “

As perguntas de Jesus mostram sua indignação ao pecado da ingratidão em uma explicita repreensão a esta atitude e uma recomendação de que todos deveriam proceder da mesma maneira que o Samaritano. Como o Samaritano, toda vez que recebermos o favor de alguém devemos primeiro agradecer a Deus, tornar nossa gratidão à Deus pública, em humildade e em gratidão à Deus e reconhecer aquele que Deus usou para nos fazer o favor ou conceder a benção.

De igual modo Jesus deixa-nos também outra lição, mas desta vez não em relação a como agir em relação àqueles que nos ajudaram, mas sim quando ao ajudarmos alguém recebermos a indelicadeza da ingratidão. Jesus não deixou que a ingratidão sofrida o impedisse de continuar ajudando e abençoando outras pessoas. Ele também poderia ter retirado a cura como uma punição pela ingratidão, mas não o fez. Todos os dez mantiveram a benção, mas somente um, aquele que foi grato, foi honrado enquanto os outros noves foram envergonhados publicamente.

No nosso dia a dia ao examinarmos aqueles que nos são gratos e aqueles que agem com ingratidão, parece que a proporção de 1 grato para nove ingratos se mantém até hoje. Contudo, tais atitudes não deve nos insensibilizar e desmotivar a ajudar o nosso próximo e nos compadecermos dos problemas dos outros, pelo contrário, pois precisamos lembrar das vezes que certamente já fomos ingratos e Jesus no seu imenso amor não se esqueceu de nós ou desprezou.

“Em tudo dai graças, porque esta é a vontade de Deus em Cristo Jesus para convosco.”
1 Tessalonicenses 5:18

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